Quinta-feira, Agosto 21, 2008

Central Nuclear de Almaraz: «bomba-relógio» perto da fronteira portuguesa



Manifestação contra a Central Nuclear de Almaraz

Data: 13 de Setembro de 2008
Local: Navalmoral de la Mata, no passeio da estação de comboios, pelas 18h30
De seguida segue-se para a povoação de Almaraz e daí há a marcha a pé até ao portão da central nuclear de Almaraz .
No regresso há festa com comida, vinhos e limonada no Parque de las Minas de Navalmoral às 22h00.


Convocam:
Plataforma Antinuclear Cerrar Almaraz, Refinería No, Térmicas NO, Ecologistas en Acción Extremadura, Cúriga-Ecologistas en Acción Monastério, ADENEX, AMUS, QUERCUS, CNT- AIT, CGT, C.A.L.A., Aso.Comarcal Jóvenes del Jerte, Aso. Garabato del Piornal, Colectivo Ambroz de Ecología Socia, Los Verdes Extremadura, Juventudes Comunistas, Izquierda Unida, PCEX, Sociedad Zoológica de Extremadura e Ateneu Libertário de Hervás


Do lado português a Quercus irá juntar-se a esta iniciativa através dos Núcleos Regionais de Portalegre e Castelo Branco, junto dos quais se poderão obter mais informações sobre as actividades previstas (no ano passado, por exemplo, realizou-se uma visita ao Parque Nacional de Monfrague). Todos os interessados poderão ainda contactar os Núcleos referidos para organizar uma deslocação conjunta até ao local.Para tal, estão à disposição os seguintes contactos:Telemóveis: 960107080 e 960207080
E-mails:

Quarta-feira, Agosto 20, 2008

ESPECULAÇÃO IMOBILIÁRIA DESTROÍ LITORAL COM A CONIVÊNCIA DE SECR. ESTADO DO «AMBIENTE»




[MAIS UM EXEMPLO, ENTRE MUITOS, DAQUILO EM QUE A GULA DE LUCRO TRANSFORMOU O LITORAL, ATÉ NAS ZONAS ECOLOGICAMENTE MAIS SENSÍVEIS. ]

Copiado de Rui Dias José em

Quase deitado na areia, o cartaz esclarece o âmbito da obra: "Recuperação dunar da zona central da Meia Praia". Não é da praia toda... mas só de uma parte dela.
Embora se não lhe notem os efeitos, há dinheiros da Comunidade Europeia, referências ao Ministério de Ambiente, ao Programa Operacional da Região Algarve e à CCR do Algarve.
Das "plantações" do ano passado só quase restou o cartaz que explica como se devem proteger as dunas. O simulacro de vegetação que devia proteger as areias... há muito que se foi.
Restou o passadiço "muito cool" que preserva a praia de carrinhos de bebé, cadeiras de rodas e... de todos os seres humanos que não consigam subir as escadas de acesso.
Mas que importa isso se o que está em causa é a defesa do ambiente e da paisagem natural?

Se o cimento armado avança sobre a praia, se as construções proliferam na duna, se os guindastes ameaçam entrar mar adentro, trazem-se mais uns quantos cartazes do Ministério de Ambiente (pagamos nós todos!) e organizam-se mais umas empreitadas de "protecção ambiental" (pagamos nós todos!).

Segunda-feira, Agosto 18, 2008

PELA PRIMEIRA VEZ NA HISTÓRIA DA IWW: ASSEMBLEIA GERAL NA EUROPA (LONDRES)



Assembleia Geral da IWW 2008

Início: 30/08/2008 - 9:30
Fim: 31/08/2008 - 17:30

A organização londrina vai receber todos/as os/as membros da IWW que vêm para a Assembleia Geral. Esta irá decorrer numa parte histórica ligada à classe trabalhadora, o East End. Pela primeira vez, irá realizar-se fora da América do Norte, nos 103 anos de história da IWW.

O almoço em ambos os dias será fornecido pela organização londrina de «Food Not Bombs». Haverá também um convívio no sábado à noite.

Para mais informações contacta London@iww.org.uk

Local:
Toynbee Hall, Commercial Street, E1
london@iww.org.uk

Sábado, Agosto 16, 2008

Portugal: Cerca de um casamento sobre dois, acaba em divórcio

«Em 2006 foram decretados quase 24 mil divórcios. Ou seja, em cada 100 casamentos, 48 acabam em separação.»

Eis a expressão da crise da família, mas sobretudo da dureza das condições que enfrentam os jovens casais, iludidos com o «crédito barato», que ficam em dificuldades, cada vez com maior frequência. Com efeito, os novos têm de se sujeitar a condições de precariedade extrema, como os contratos a prazo de seis meses ou menos, ou os falsos «recibos verdes». Com a perda do rendimento por parte de um dos cônjuges começam as dificuldades de pagamento das dívidas contraídas. Uma grande parte do crédito mal parado tem origem em situações deste género.

Estudos estatísticos comprovaram que as dificuldades económicas têm enorme peso na estabilidade dos casais. Ou seja, uma grande maioria dos divórcios tem directa relação com a instabilidade económica do casal. O mesmo se pode dizer em relação à decisão de ter filhos, o que é lógico. Assim, as épocas de maior aperto económico são as de maior descida da natalidade, que se inverte, assim que existam melhoramentos substanciais do nível de vida das pessoas.

O capitalismo não é sustentável; nem em termos de reposição de gerações, nem em estabilidade das famílias, nem como factor de felicidade e realização pessoal.

As pessoas TÊM DE COMEÇAR A PERCEBER QUAL A LIGAÇÃO ENTRE AS SUAS DESGRAÇAS PESSOAIS E O MODO DE ORGANIZAÇÃO DA SOCIEDADE E DA PRODUÇÃO.

Só assim poderá nascer uma vontade de mudança!

Manuel Baptista

BAIRRO SOCIAL DE STA CRUZ (BENFICA) LUTA PELA SOBREVIVÊNCIA CONTRA TRAÇADO DA CRIL (CIRCULAR RODOVIÁRIA INTERNA DE LISBOA)

de Diário Digital

CRIL: Moradores de Santa Cruz recusam abandonar casas

O prazo dado pelas Estradas de Portugal (EP) aos moradores do bairro de Santa Cruz, em Benfica, para desocuparem casas que serão afectadas pelas obras de conclusão da CRIL terminou ontem, mas os moradores garantem que não sair das suas residências.
«As pessoas vão-se manter nas suas casas e vão tentar tomar [medidas] em defesa dos seus direitos», garantiu Jorge Alves, porta-voz da comissão de moradores do bairro, em declarações reproduzidas pelo Público.
O representante explicou que os moradores já recorreram a todas as «entidades responsáveis» que «possam tomar uma decisão em defesa dos direitos dos cidadãos», como a Câmara Municipal de Lisboa, a procuradoria-geral da República e a Presidência da República, estando a aguardar uma resposta que lhes seja favorável antes do início das obras, previsto para a próxima segunda-feira.
“Se não houver nenhuma posição nesse sentido por parte das entidades responsáveis, só resta aos cidadãos seguir aquilo que diz no artigo 21 da Constituição, que diz que numa situação dessas nós temos todo o dever, toda a obrigação de defender os nossos direitos e defendê-los seja como for. E é isso que nós vamos fazer», avisou Jorge Alves.
O conflito entre os moradores deste bairro de Benfica, em Lisboa, e a Estradas de Portugal já dura desde 1993 e obrigou ao adiamento do último troço da Circular Regional Interna de Lisboa (CRIL).
Este troço, que a EP espera concluir até final de 2009, vai ligar o nó da Buraca ao da Pontinha e este à rotunda de Benfica, numa extensão aproximada de 4,5 quilómetros.
Inicialmente, o projecto previa a construção de um túnel, obrigando mesmo assim à demolição de duas casas no bairro de Santa Cruz mas, de acordo com o porta-voz da comissão de moradores, essa opção foi agora alterada pela Estradas de Portugal que pretende avançar com o projecto em superfície.

Sexta-feira, Agosto 15, 2008

LUTA DO POVO MAPUCHE, CHILE

Um trailer do documentário de Elena Varela López. Esta realizadora foi perseguida e presa por causa deste documentário no presente governo «democrático» do Chile.

Os mapuche são uma etnia do sul do Chile, onde existem enormes áreas florestais que lhes pertencem. Grandes companhias madeireiras querem transformar essa região magnífica, habitada por um povo livre, num «deserto verde», ou seja em monocultura de árvores com interesse comercial.

Os mapuches têm levado a cabo numerosas acções de protesto, incluindo greves da fome, marchas, campanhas de solidariedade internacional, para obrigar o governo Chileno a vreconhecer-lhes o direito a gerirem o seu solo, a administrarem as riquezas de sua terra ancestral.

MB

Quarta-feira, Agosto 13, 2008

URGENTE: PROFESSORES PROVISÓRIOS ARGELINOS EM GREVE DA FOME – AGRAVA-SE A SITUAÇÃO

O vídeo clip abaixo mostra grevistas da fome a serem levadas pela polícia argelina.

video

A situação que temos vindo a noticiar (*) vai-se agravando.

O estado físico, psicológico e moral dos/das grevistas da fome está a tornar-se insustentável.

Pelas dez da manhã de terça-feira, dia 12/08/2008, três membros do comité nacional dos professoeres provisórios do SNAPP -Maarouf Meriem ,Boudellale Mourad, Msilli Redouane- foram detidos pelos serviços de segurança do estado, numa concentração de professores provisórios em frente da presidência da república.

Apela-se ao envio urgente de mensagens de solidariedade com os/as grevistas da fome e pela liberdade dos detidos.

snapap_snata@yahoo.com

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(*) informações transmitidas através da nossa lista de discussão

http://groups.google.com/group/iniciativalutasocial

de: cgtmaghreb[at]cgt.org.es
Ils comptent observer un autre sit-in mardi Les enseignants contractuels saisissent le Président
Les enseignants contractuels organiseront mardi prochain un autre sit-in devant la présidence de la République. Par cette nouvelle action de protestation, les enseignants grévistes de la faim comptent saisir directement le président de la République pour intervenir et prendre en charge leurs revendications.
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La grève des enseignants conctractuels se poursuit en Algérie pour le 21e jour consécutif.
lundi 4 août 2008. Vingt et un jours sont passés depuis le début de la grève de la faim déclenchée par les enseignants contractuels en Algérie. Le bilan est désastreux et l'état de santé des grévistes se dégrade de plus en plus. En fait, ils sont 28 enseignants à avoir été transférés à l'hôpital Zmirli dans un état comateux. Le conseil national des enseignants contractuels regrette cette situation, plus particulièrement le silence absolu observé par la tutelle. L'intersyndicale de la Fonction publique a tenu mercredi dernier une réunion au cours de laquelle des décisions d'une extrême importance ont été prises. Ainsi, ce groupement de syndicats prévoit la tenue de plusieurs actions de protestation dès la prochaine rentrée scolaire. L'intersyndicale, qui a accordé son soutien aux grévistes, compte participer au rassemblement qui aura lieu mardi prochain. En matière juridique, plusieurs actions sont également prévues. Le Cnec compte déposer deux plaintes, la première au Bureau international du travail et au niveau de l'Internationale des services publics. Le syndicat des grévistes, qui dénonce tous les harcèlements qu'il a subis, prépare un communiqué où il condamne toutes les violences physiques et verbales pratiquées par les forces de l'ordre ainsi que les graves atteintes à la loi. Ce communiqué sera transmis à tous les organismes et institutions du gouvernement algérien ainsi qu'aux organisations internationales des droits de l'homme. L'intersyndicale a pris l'engagement de poursuivre son soutien à l'action des grévistes et aux revendications légitimes exprimées par les enseignants contractuels en Algérie. Le syndicat revendique également l'ouverture d'un dialogue avec la tutelle afin de trouver une solution à une situation qui ne semble pas trouver une issue favorable.
Synthèse de Mourad, www.algerie-dz.com D'après Le Jour d'Algérie

14 ANOS DEPOIS: EPÍLOGO DA FALÊNCIA DA FÁBRICA DE VILA DO CONDE.

[do «Público» de hoje]

Operários (ou herdeiros) receberam no Tribunal do Comércio de Vila Nova de Gaia parte do dinheiro que a têxtil de Vila do Conde lhes ficou a dever desde 1994.

[…] Nas décadas de 60 e 70 do século passado, a Fábrica de Mindelo era uma importante têxtil. Chegou a ter mais de 1600 funcionários (...), mas entrou em declínio e acabou por fechar as portas em 1994. A falência foi decretada em 2000. (…) Muita gente foi saindo antes do encerramento total e definitivo.

[…] A luta dos antigos trabalhadores da Fábrica de Mindelo continuará. "No primeiro rateio íamos receber 77 por cento do dinheiro em dívida; no segundo já só foi 50 por cento", justifica o porta-voz do grupo, Fernando Gomes. "Isto é só o primeiro passo. Queremos a totalidade do nosso dinheiro", discursou.

Para pagar aos trabalhadores os salários e indemnizações em dívida, o Tribunal de Comércio de Vila Nova de Gaia decidiu proceder à execução de um rateio parcial. Socorreu-se do dinheiro resultante da venda de património imobiliário da Fábrica de Mindelo, feita em Outubro de 2005. Na época, as instalações foram compradas por 6,8 milhões de euros. O dinheiro angariado com a venda não dava para todos os credores. Além dos créditos dos trabalhadores havia uma hipoteca sobre as instalações da fábrica a favor da Caixa Geral de Depósitos.
Na primeira proposta de rateio considerava-se apenas crédito prioritário da Caixa Geral de Depósitos 1,75 milhões de euros. O banco não aceitou este valor e recorreu, impugnando o rateio parcial.
O juiz decidiu não esperar mais e executar parte da massa falida na parte respeitante aos trabalhadores. A situação dos operários está longe de ser resolvida: 2,5 milhões de euros é o total da primeira ronda de pagamentos. No início do processo, há 14 anos, esperavam receber cerca de cinco milhões.
[…]5,25 milhões de euros é o montante de que os trabalhadores se dizem credores, após ser decretada falência da unidade de Mindelo, em 2000, que chegou a empregar 1600 pessoas.

Têxtil Menezes e Pacheco: Operárias acusam CGTP de as terem enganado

[de «O Sol»]

CGTP enganou operárias
Por Manuel Agostinho Magalhães

A CGTP incitou as operárias da têxtil Meneses & Pacheco a acamparem à porta das instalações da fábrica para evitar a retirada das máquinas
Disse-lhes que tinha accionado um processo judicial, mas afinal não tratara de nada. As trabalhadoras acusam a central sindical de as usar como tropa de choque para manter a agitação. A intervenção de um advogado desmontou o ‘esquema’ e permitiu às operárias regressarem a casa.
Em simultâneo, Franclim Ferreira, um advogado estranho ao sindicato informou-as que uma simples providência cautelar de arresto teria feito com que fossem para casa em dois ou três dias.
«Há mulheres com filhos pequenos que estiveram aqui semanas sem condições nenhumas. Isto é uma vergonha. Sentimo-nos enganadas. Penso que daria jeito ao sindicato que a gente estivesse ali» , disse ao SOL Rosa Gomes.

Terça-feira, Agosto 12, 2008

[Portugal, periferias urbanas e sociais] Os guetos em tempos de pobreza

Em tempo de pobreza acrescida, a sociedade portuguesa acorda para a existência de guetos, em regra escondidos, sem acesso por autoestrada e de onde fogem os cidadãos comuns, por legítimo receio ou mero preconceito.
Exemplificamos aqui a situação a partir da exposição que os ciganos tiveram a propósito dos acontecimentos da Quinta da Fonte Santa. E para que cada um avalie bem o seu próprio quinhão de racismo, nem sempre explícito para o próprio.


1 – A diabolização do outro

Desde sempre os ciganos souberam viver nas margens do sistema formal da economia, integrando-se nela, no entanto, de acordo com o que lhes é permitido, consoante as suas conveniências e alicerçando-se num forte espírito comunitário, que lhes serve de escudo, quando necessário.
O Estado e a sociedade que o suporta sempre permitiram esse limbo, porque daí advêm evidentes vantagens, nomeadamente para alguns extratos sociais, muito minoritários. Quando chegam situações de crise, são os primeiros a ser perseguidos e Hitler também não lhes perdoou a diferença; e diferentes continuaram para os Aliados que não reconheceram em Nuremberga o seu carácter de vítimas do nazismo. Porquê? Porque não obtiveram, como os judeus, a dignidade que o dinheiro compra, não recolhendo, por consequência, o reconhecimento ou um estado de Israel plantado em terras alheias.
O cigano pode ser apontado como a encarnação do perigo, da violência latente, do "outro", do diferente, onde facilmente se descobrem crimes reais ou inventados. Em Portugal, tradicionalmente, o cigano é o objecto do racismo envergonhado que por vezes salta à luz do dia, desentranhado com raiva. E, como estamos em era de globalização, o "mercado" também aqui gerou concorrência; a dos africanos, dos ucranianos, dos brasileiros, os primeiros acusados de ladrões, os segundos de mafiosos, as terceiras como desviantes de homens bem casados.
Felizmente... que a Comissão Europeia está vigilante, decidindo criminalizar a imigração em geral, para sossego das almas simples e assustadas, que nem se aperceberam que o vigarista Berlusconi manda o exército contra eles.
Empurrados para fora da respeitável sociedade dos portugueses de gema, os ciganos vão-se desenrascando como melhor sabem e podem, com a criatividade a que os pobres são obrigados a ser capazes. Veja-se como seria mais pobre a música popular europeia se não existisse a música de influência cigana, com o flamenco, com a sua predominância nos Balcãs e na Hungria, onde não é fácil de distinguir onde começa a música "nativa" e acaba a música cigana que até influenciou a própria música dita clássica (v.g. Haifetz e Kodaly).
O Estado e a sociedade, interessados na sua perpetuidade como comunidade estranha, como um quisto, polarizador de procedimentos catárticos, enfia-os em áreas próprias, isoladas do resto da população, como elementos de um zoo que o turismo ainda não aproveitou nos circuitos de cidade. E chama a essas áreas, bairros sociais.
Como o Estado e a sociedade não querem misturas com eles acham por bem juntá-los todos e acrescentar-lhes magotes de africanos igualmente pobres, para mais pretos, "todos iguais" como muitos dizem. Precisamente porque a sociedade não lhes quer admitir uma individualidade cidadã, junta todos, a esmo num mesmo "bairro social", que toda a gente sabe ter o anátema de indesejável para as pessoas "normais". A sociedade respeitável não lhes admite a dignidade que atribui a cães e gatos domésticos (de preferência de "raça"), com quem falam, que levam ao veterinário e metem dentro da cama.
A Câmara de Loures – decerto não é única neste comportamento de guetização – limita-se a fixar nuns ridículos 4 ou 5 euros a renda das casas do bairro e, nem sequer se importa que os habitantes não paguem. A Câmara paga, portanto para que "eles" sejam incentivados a continuar no gueto; paga para perpetuar a discriminação do "outro" e a aceitação desse facto pelo resto da população; paga para que se mantenham à margem, distantes, distraidos uns com os outros (africanos e ciganos), para que se não cruzem com as pessoas respeitáveis.


2 - O mito do RSI


É uma ideia feita junto das camadas populares, não desmentida pelo mandarinato ou pela superficialidade dos media, que os ciganos vivem do RSI, que este corresponde a uma pequena fortuna e que os seus beneficiários vivem como nababos, sem incentivos para trabalhar.
Os factos desmentem esse mito, pelo menos no que se refere ao valor do subsídio. De acordo com o publicado na imprensa em Julho último, havia 334 865 pessoas a receber RSI com um encargo público de um milhão de euros por dia, o que corresponde, se não nos enganamos a 3 euros diários por pessoa ou 90 euros por mês.
Curiosamente, provoca mais indignação do que a banca ao arrecadar 8,7 milhões de lucro por dia e que o Estado atribua aos bancos 700 milhões de euros de benefícios fiscais; ou que no folhetim BCP haja quem tenha manejado fraudulentamente muitos milhões de euros, recebendo milhões de reforma e indemnizações sujeitando-se em contrapartida à dura penalização de não poder exercer cargos num banco durante dez anos. E aceita-se com bonoma que, em 2007, a sisuda e programadamente ineficaz DGCI permita a evasão de centenas de mihões de euros em fugas de impostos ou prescrições de direitos de cobrança.
"A rica teve um menino, a pobre pariu um moço" diz a canção, interpretando o pensamento dos miseráveis em relação aos mais pobres e a deferência para com o rico ou o patrão.
A diabolização do "outro" serve para justificar a mania securitária expressa por um ministro com cara de parvo que gosta de exibir a sua autoridade citando a lei e o estado de direito, abrindo bem os sons do seu grasnado para melhor se ouvir. Os ciganos, os imigrantes ajudam os socratóides a justificar contratos de segurança, aquisição de equipamento de vigilância, etc; são pois equiparados a custos de promoção de vendas.
A sequência do ciclo inicia-se previamente na discriminação, social, no emprego e na habitação. Em que condições e onde conseguem ciganos ou imigrantes, por exemplo, alugar casas para não falar em adquirir?
A essa marginalização segue-se a inscrição no RSI como uma das poucas opções para a obtenção de rendimentos legais e apoios acessórios, como a utilização do SNS ou o acesso a casas nos bairros sociais.
Na fase seguinte há várias opções. A da resignação à miséria dum subsídio estatal; a da venda de roupas e cópias clandestinas de DVD's nas feiras; ou a integração em circuitos marginais.


3 - A integração nos circuitos económicos

Uma breve referência ao colonialismo português e ao modo como acentuou o subdesenvolvimento em Portugal e nas suas colónias permitirá elucidar alguns aspectos da relação entre a sociedade portuguesa respeitável e as comunidades ciganas.
A existência de colónias, com os seus mercados de consumo ainda que limitados, fidelizados ao abastecimento da "metrópole" faoreceu no capitalismo português uma aversão ao risco, à concorrência, ao investimento. Se as colónias eram obrigadas a consumir têxteis, vinho e bens de consumo produzidos em Portugal porque razão os capitalistas portugueses iriam investir em qualidade ou sofisticação? Recordamos que até o transporte era coutada dos bravos armadores portugueses e por isso, no princípio da década de 80 o governo do bloco central, sem colonias para administrar, conduziu a marinha mercante ao seu carácter residual de hoje.
Passados mais de 30 anos da descolonização os bravos capitalistas portugueses passaram a dedicar-se prioritariamente a actividades fora da concorrência externa; o imobiliário, a distribuição, as comunicações, Mas, a indústria continua a precisar de escoar os produtos de menor valia – têxteis lar, por exemplo – roupa de marca contrafeita ou DVD's piratas para além de produtos defeituosos não exportáveis.
E então, quem melhor poderá comercializar esses produtos produzidos por respeitáveis industriais lusos? Quem mais se arrisca a estar nas ruas de olho na polícia, nas chamadas "Boutique Alcofa" a vender esses produtos? Quem costuma estar presente em feiras e mercados apregoando camisolas da moda aos passantes? Os ciganos protagonizam assim um negócio P2P à moda portuguesa, de pobre para pobre.
Este exemplo, evidencia a complementaridade entre capitalistas portugueses e a comunidade cigana. A polícia persegue ou faz que persegue os vendedores (nas feiras e nas ruas), enquanto o poder se distrai de intervir junto dos produtores, conivente óbvio de uma economia paralela que junta "empresários", políticos e funcionários. O mesmo sucede para os DVD's. Mesmo mediatizando apreensões volumosas para mostrar serviço, a verdade é que o abastecimento nunca falhou.
As fábricas têxteis que abastecem este mercado não se situam nos bairros sociais, tal como os locais onde se produzem os milhares de CD's e DVD's que reproduzem os produtos pimba que estão na berra. Essas indústrias encontram-se por aí, em locais recônditos, esquecidos pelos fiscais das finanças, sem anúncios luminosos e geram toda uma economia paralela de que os ciganos arrecadam a parte menor do lucro e a maior do risco.
E quanto às drogas? Os barcos que anunciam com foguetes a chegada à praia com material pertencem a ciganos com veia marinheira? Os reputados "industriais da noite" que contratam policias de folga para seguranças, serão ciganos? Quanto do dinheiro que oleia o imobiliário ou a hotelaria/restauração, previamente lavado no discreto sistema bancário, resulta do tráfego de drogas?
Todos sabemos que a economia paralela é florescente e que nela se inclui, ainda mais florescente, a economia do crime. Sabe-se também, que quanto mais lucrativa é uma actividade, mais poderosos são os que a ela se dedicam e beneficiam; e, aí encontraremos sem dúvida, os bancos, muitos dos "empresários" e "investidores", os partidos do poder, muitos autarcas, os donos do futebol. Qual a relevância de ciganos ou africanos neste mundo?


4 – Os preconceitos e a estupidez na sociedade respeitável

Em todo este contexto, a sociedade respeitável não pensa demasiado.
Vê, como recentemente, gente a pagar rendas ridículas e a receber o RSI com plasmas e playstations em casa. Talvez gostassem mais de os ver nas esquinas, andrajosos, de mão estendida à caridade pública, pois assim sentir-se-iam mais afastados da indigência. O que move muitos elementos respeitáveis de pura cepa lusitana é a inveja. Uma inveja tão pura, tão disfarçavel como um elefante num centro comercial.
Muitos, trabalhadores por conta de outrém, com o IRS retido pelo patrão, com o salário estagnado e os juros da casa a subir, ou a aposentação adiada têm, de facto, pouca margem para arrecadar uns cobres suplementares não tributados pela sanguessuga fiscal. E, têm dificuldades.
Pagam, porém, o seu preço pela total submissão a uma cidadania madrasta, a um Estado predador que muito exige e lhes devolve apenas um NIF gratuito e domicílio no país mais pobre da Europa ocidental. Custa-lhes ver elementos da comunidade cigana, que consideram de segunda classe, apenas com as pontes indispensáveis com a economia formal, viverem sem dificuldades que não o anátema e o risco da sua marginalização, da sua informalidade. O que não é pouco.
Como convém aos miseráveis, toleram tanto as golpadas dos ricos e dos corruptos como se sentem roubados pelos apoios aos pobres ou quando estes melhoram a sua vida. Em todos os casos um só sentimento: a inveja que consta no decálogo de Moisés e que grangeou tanto apoio popular nas cruzadas de Hitler contra os judeus. Em Portugal, Sócrates agradece-lhes, do fundo do coração, a sua distração.

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Golpe militar na Mauritânia intensifica êxodo em direcção à Europa


A «trégua olímpica» não serviu apenas para que o presidente da Geórgia, em perda de popularidade interna, lançasse um criminoso ataque (causando mais de 200 mortos, muitos dos quais civis) contra a república separatista da Ossétia do Sul, apoiada pela Russia, iniciando assim mais uma guerra na região.

Também nesta altura, na Mauritânia, o frágil regime resultante das primeiras eleições desde a independência (em 1962), foi derrubado por um golpe de estado militar que precipita uma crise humanitária, ou melhor, vai agudizá-la.

Um afluxo maior de imigrantes tem sido registado nas Canárias, desde o golpe de estado de quinta-feira na Mauritânia, com a chegada de mais de três centenas de africanos nos últimos dias. Isto surge depois de um relativo período de acalmia. A Mauritânia é um dos principais países de trânsito para todos quantos arriscam a vida na tentativa de chegar a solo europeu.
Cerca de nove em cada dez embarcações interceptadas este ano ao largo das Canárias tinham proveniência mauritana.


Abaixo, transcrevemos comunicados das forças sindicais deste país africano.



CONFEDERATION GENERALE DES TRAVAILLEURS DE MAURITANIE, CGTM


COMMUNIQUE DE PRESSE


Notre pays s’est réveillé ce matin du mercredi 06 août 2008 par un coup d’Etat rondement mené par les généraux qui dirigent l’armée nationale.

La CGTM, fidèle aux principes démocratiques fondamentaux de libre choix pour l’exercice du pouvoir par le peuple, condamne avec énergie cette forme de prise de pouvoir par la force.


La CGTM regrette que le chemin du progrès qui menait la Mauritanie vers le concert des Nations civilisées et démocratiques, respectueuses de leur volonté populaire, a connu, à travers cet acte, des secousses sérieuses et dangereuses qui ne grandissent pas notre image.

La CGTM appelle, à cet effet, de toutes ses forces, à un rétablissement de la légalité constitutionnelle à travers la remise au pouvoir des institutions légalement élues, en premier lieu, le Président de laRépublique.

La voie de développement économique et social durable passe par un ordre constitutionnel normal et légal basé sur la reconnaissance des droits de tous les acteurs et par le respect de textes fondamentaux qui régissent la vie de la Nation.


En cette période de crise alimentaire aigue qui frappe toutes les économies fragiles, où la dégradation du pouvoir d’achat des travailleurs s’accentue sous la flambée des prix des denrées de base, notre pays abesoin de vivre dans un cadre démocratique apaisé et participatif que seul le peuple peut offrir pour que les forces nationales se coalisent pour faire face aux multiples défis qui interpellent notre pays.

Nous appelons les auteurs du putsch à la raison et à redonner à notre vaillante armée sa belle image d’institution républicaine, respectueuse dela Constitution et dont l’histoire récente a révélé son patriotisme à travers une bonne issue de la période de transition.

La communauté nationale et internationale ainsi que les amis de la Mauritanie, doivent nous aider à rétablir la légalité constitutionnelle par le respect de l’institution présidentielle démocratiquement élue.

Nouakchott, le 06 août 2008.

Le Secrétariat Général de la CGTM


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UNION DES TRAVAILLEURS DE MAURITANIE (UTM)
CONFEDERATION GENERALE DES TRAVAILLEURS DE MAURITANIE (CGTM)

CONFEDERATION LIBRE DES TRAVAILLEURS DE MAURITANIE (CLTM)

UNION DES SYNDICATS LIBRES DE MAURITANIE (USLM)

UNION NATIONALE DES TRAVAILLEURS DE MAURITANIE (UNTM)

CONFEDERATION NATIONALE DES TRAVAILLEURS DE MAURITANIE (CNTM)

UNION SYNDICALE DES TRAVAILEURS DE MAURITANIE(USTM)

UNION GENERALE DES TRAVAILLEURS DE MAURITANIE (UGTM)

UNION LIBRE DES TRAVAILLEURS DE MAURITANIE (ULTM)


DECLARATION


Les Centrales syndicales nationales de travailleurs ont appris avec une grande amertume et une déception certaine, le putsch militaire intervenu dans notre pays en ce début de matinée de la journée du mercredi 06 août2008.

Ce coup d’Etat qui a occasionné la destitution du Président de la République, légalement et constitutionnellement élu par le peuple mauritanien, constitue un grand recul de la démocratie en Mauritanie dont l’exemple était admiré en Afrique et dans le Monde Arabe.

Les Centrales syndicales nationales de travailleurs, fidèles aux principes démocratiques fondamentaux de libre choix pour l’exercice du pouvoir parle peuple, condamnent avec énergie cette forme de prise de pouvoir par la force et dénoncent cette usurpation du pouvoir d’une manière brutale en violation de la Constitution.

Les Centrales syndicales nationales de travailleurs exigent, à cet effet, de toutes leurs forces, à un rétablissement de la légalité constitutionnelle à travers la remise au pouvoir des institutionslégalement élues, en premier lieu, le Président de la République.

Nous appelons l’Armée à rester dans le cadre de son rôle républicain dedéfense de l’intégrité nationale au service de la légalitéconstitutionnelle.

Les Centrales syndicales nationales de travailleurs lancent un appel aux organisations syndicales internationales ainsi qu’aux amis de la Mauritanie, afin qu’ils nous aident à rétablir la légalité constitutionnelle par le respect et le rétablissement de l’institution présidentielle démocratiquement élue.


Nouakchott, le 07 août 2008.

Les Centrales syndicales signataires

UTM CGTM CLTM USLM UNTM CNTM USTM UGTM ULTM